A Agenda de Sandra Caldas

Depois de trabalhar para outros durante 10 anos, Sandra Caldas decidiu criar a sua empresa, a Work3. Formada em Engenharia Civil, desenvolveu a sua carreira na construção civil, em áreas e mercados diferentes, o que lhe deu um conhecimento muito abrangente do negócio. Conheça a forma como gere o seu tempo.

Sandra Caldas é administradora da Work3.

Sandra Caldas começou por querer ser médica mas foi a Engenharia Civil que acabou por a conquistar. Formou-se, em Coimbra, aos 23 anos e, apesar de a família ter uma empresa na área da construção em Monção, decidiu desbravar o seu próprio caminho. Iniciou a carreira numa pequena empresa de construção em Ponte de Lima, mas rapidamente foi abraçando outros desafios que a levaram até à multinacional alemã Halfen-Deha, onde foi responsável pelos estudos técnicos em Portugal, lidando com obras nacionais e com arquitetos de renome, como Siza Vieira.

Em 2007, integra um grupo espanhol na área do projeto e fiscalização e faz parte da equipa que acompanhou a empreitada da maior unidade mundial aquícola de pregado, um projeto PIN (Projeto de Interesse Nacional) que o Grupo Pescanova desenvolveu em Portugal, e que custou cerca de de 140 milhões de euros. Mais tarde, é convidada para a direção geral da empresa do grupo em Angola e consegue transformá-la num dos pilares do grupo espanhol.

No final de 2012, aceita a proposta do pai para ajudar a tomar conta da empresa da família, a Habimonção Construções, Lda, e regressa  a Portugal. Em poucos meses, diversificava as áreas de negócio da empresa e expandia-a para outros territórios, criando empresas em Moçambique e em Angola.

Em 2017 cria a sua empresa em Portugal, a Work3, que presta serviços de projeto (arquitetura e engenharia), fiscalização de obras e consultoria técnica em diversas áreas. Com um posicionamento internacional, mas com crescente presença no mercado português, a sua equipa tem cerca de 20 colaboradores e é maioritariamente constituída por mulheres.

 

7h30

Toca o despertador. Posso acordar em Portugal, Moçambique, Angola, Guiné Bissau ou num país europeu, mas os primeiros 15 minutos antes de sair da cama são sempre para ver os e-mails. É um hábito que adquiri quando trabalhava na obra do grupo Pescanova e que mantenho até hoje. Permite-me ver se surgiu algum problema grave ou se há alguma questão relacionada com as equipas que estão fora.

7h45

Levanto-me e sou a primeira a arranjar-me. Logo a seguir é tempo de acordar a minha filha Carolina e pô-la a tomar o pequeno-almoço, ao seu ritmo. Entretanto eu e o meu marido preparamos o Afonso e depois a Carolina, de maneira a podermos sair de casa.

8h45

Dividimo-nos em equipas para levar os miúdos à escola – a equipa dos meninos e a equipa das meninas.

9h15

Tomo finalmente o meu primeiro café, no sítio do costume, com as pessoas que me conhecem desde criança. É também tempo de fazer as primeiras chamadas urgentes e de ver as principais notícias do dia.

9h45

Chego ao escritório e tomo o segundo café com a minha equipa. É a altura em que me sinto a descomprimir, ao trocar impressões e a fazer o ponto de situação dos processos. Ouvir e discutir ideias em conjunto é uma forma de manter a equipa coesa e faz-me sentir que estou a par de todos os temas que surgem.

10h30

Começo a responder aos e-mails de maior complexidade. Geralmente, são e-mails que já assinalei anteriormente e que exigem uma maior reflexão ou algum estudo. Assim, prefiro estar sentada em frente ao computador e completamente concentrada, sem interrupções.

11h30

Durante mais ou menos uma hora reúno com as diferentes equipas, em função dos trabalhos em curso. Discutimos algum detalhe de arquitetura, alguma solução de engenharia que requeira atenção especial, algum projeto/fiscalização que esteja a necessitar de um “forcing extra” ou de uma visão mais distanciada do problema. Sempre a tentarmos dar o nosso melhor, a solução fora da caixa, aquela que satisfaz o cliente. Batalhamos todos os dias por uma solução à medida. Na nossa empresa não existe “chapa 5”, o que requer muito trabalho e dedicação. “Deus está nos detalhes”, como dizia Mies van der Rohe.

13h00

Prefiro sair do escritório para almoçar. É um momento em que preciso de apanhar um bocadinho de ar e repor energias. Geralmente, almoço com alguém da minha equipa. É uma forma de estar mais próxima das pessoas e ter conhecimento das necessidades e expectativas de cada um.

Os almoços com clientes são pontuais, mas muito profícuos. À mesa, habitualmente, fecham-se negócios, ideias de projetos, esclarecem-se dúvidas e fortalecem-se relações de trabalho porque o ambiente assim o proporciona.

14h00

As tardes são habitualmente reservadas para reunir com clientes – ou potenciais clientes. A rede de contactos que construí ao longo da minha carreira tem sido fundamental e sinto que as pessoas apreciam a frontalidade, determinação e empenho que sempre demonstrei ao longo do meu percurso. Isso motiva-me a querer fazer sempre mais, sinto que não há limites para o que a Work3 pode fazer, dentro e fora de portas (leia-se Portugal), como o nosso currículo demonstra.

Muitas vezes, acabo por ficar a ver algum projeto em detalhe ou a analisar algo em que tenha que tomar uma decisão importante. Sou muito focada nos resultados e tenho por hábito acompanhar ao pormenor todos os projetos. Não tenho medo de arriscar, mas só me sinto bem se tiver tudo sob controlo. Talvez seja um bocadinho control freak, mas assim, estou tranquila, sem stress!

A preparação da agenda para o dia seguinte é sempre um dos últimos afazeres do dia, mas é indispensável para a minha organização.

19h00

Gosto de sair por volta desta hora. Permite-me fazer algumas compras que sejam necessárias, ir para casa, dar banho às crianças e organizar o dia seguinte. A conjugação profissional e familiar é algo que faço questão de não descurar. No entanto, nunca consigo entrar em casa sem estar ao telefone a resolver alguma questão com um colaborador ou cliente. Acontece sempre!

21h30

Depois de um jantar em modo light são horas de as crianças irem dormir. É só depois dessa hora é que temos o merecido “descanso do guerreiro” para recarregar baterias para mais um dia de luta.