A Agenda de… Maria João Bahia

Filha de escultor, ainda esteve indecisa entre Direito e Ourivesaria, mas foi a arte que levou a melhor. Com mais de três décadas de profissão, Maria João Bahia é hoje uma joalheira versátil, que não gosta de recusar desafios.

Maria João Bahia dá o seu nome à sua marca de jóias.

Das mãos de Maria João Bahia saem peças tão variadas como joias, troféus, medalhas, louça de mesa, talheres, cintos e carteiras. É reconhecida pela elegância das suas criações e pela combinação que faz de metais nobres, pedras preciosas e formas orgânicas. Gosta de ser desafiada para projetos diferentes, como criar adereços para peças de Filipe La Féria, fazer uma escultura para assinalar o tricentenário do Palácio de Mafra ou desenhar terços para a Seleção Nacional de Futebol.

Nasceu no meio artístico, com um avô músico e o pai escultor, e tornou-se joalheira há 32 anos. Em 1981, iniciou dois cursos: Direito e Ourivesaria, mas bastou um ano para fazer a sua escolha. Em 1985 montou a sua oficina em Lisboa e, em 2004, abriu loja na Avenida da Liberdade, onde expõe as suas criações e recebe os clientes.

Já participou em inúmeras exposições, individuais e coletivas, e logo em 1987, no início da sua carreira, teve uma peça leiloada no Manhattan Cachet, em Nova Iorque.

Perfecionista e determinada é dedicada ao trabalho, mas procura não faltar ao ginásio e aos almoços ou after hours com as amigas, programas que a ajudam a desconectar dos seus dias intensos.

7h00

Nos dias de semana, acordo a esta hora. Tento ir todos os dias ao ginásio. Depois de uma hora de ginástica, gosto de tomar um café com um grupo de amigas para saber as ultimas novidades. Ao fim de semana, aproveito para pôr o sono em dia, dormindo até mais tarde.

9h00

Todas as segundas-feiras reúno com a equipa, para analisar os assuntos pendentes, e planificar a semana. Cada um diz o que está a fazer, partilha dúvidas ou problemas que está a ter, discutimos ideias e damos sugestões. Acredito que uma boa comunicação é fundamental para ter uma equipa motivada e para estarmos todos em sintonia.

10h00

Vou para o  meu escritório, revejo o meu dia, e começo a ver e-mails, dar respostas a orçamentos, falar com fornecedores, ver assuntos pendentes. Com regularidade, analiso os objetivos definidos no princípio do ano, para ver se estamos no bom caminho.

11h30

Passo na oficina para ver como está a correr o trabalho, tirar  dúvidas na execução de alguma peça, ou simplesmente para começar ou continuar algum trabalho. Se alguém me diz que um trabalho é impossível, sou logo eu que o começo. Para mim não há impossíveis. Sou muito persistente e perfecionista

O trabalho na oficina é a materializaçao do sonho. Adoro estar sentada na bancada a trabalhar. O cheiro dos ácidos, as ferramentas, a fundição, são momentos mágicos. Conseguir construir um sonho é fascinante, mas exige esforço, cedências e sacrifícios, pois só assim se consegue crescer.

A minha disponibilidade para atender os clientes é uma prioridade. Normalmente, marcam hora, mas quase todos os dias aparecem os imprevistos, o que altera muito o resto do meu dia. Nunca sei quanto tempo demoro com um cliente. Depende de muitos factores: do trabalho em si, da história que está por detrás da peça, etc. Gosto muito do contacto com o cliente, de perceber a essência da peça, o que sepretende atingir com ela. Adoro desafios, e isto é sempre um grande desafio para mim, pois tenho que criar uma jóia com uma simbologia muito própria.

13h30

Habitualmente, não almoço. Gosto de comer um iogurte, fruta e continuo a trabalhar. Duas vezes por semana tento almoçar com colaboradores, fornecedores ou com clientes. Uma vez por semana tenho um grupo de amigas que se juntam para almoçar, normalmente à quarta feira. Adoro ir a esses almoços, mas sou a que falta mais vezes.

15h00

Durante a tarde, marco reuniões para apresentação da marca, para analisar trabalhos ou para visitar clientes. Caso tenhamos uma exposição, tanto pode ocupar o dia todo, como meio dia – tenho sempre a preocupação de levar as peças e tudo o que diz respeito ao projeto,  e perceber se está tudo em conformidade.

A arte de criar, é um dom que cada um de nós tem, só que muitos não o exploram. Este dom tem que ser trabalhado, e alimentado para crescer, para se desenvolver. È isso que faço todos os dias. Desde pequena que gostava de fazer colares, brincos, cintos e depois vendia nas lojas.

19h30

Tento sair do atelier por volta desta hora. Logo que chego ao carro ligo a música e tento relaxar.

Gosto muito dos dias em que posso ir para casa, jantar com a minha família – tenho três filhos, mas nenhum deles herdou a veia artística. Porém, muitas vezes durante a semana tenho compromissos que me obrigam a jantar fora. Gosto de ir ao cinema, mas faço-o, sobretudo, ao fim de semana.

20h30

Uma vez por mês tenho um grupo de amigas que se juntam para conversar num after hours. Gosto imenso de ir, pois são sempre momentos de descontração e animada conversa.

23h00

Caso não tenha tido nenhum compromisso, às 23h normalmente estou exausta e pronta para ir dormir.