As mulheres mais influentes de Portugal

São 20 as mulheres que nas suas áreas de trabalho dão cartas em Portugal e no estrangeiro. A Executiva elege-as com base num estudo feito pelo jornalista Filipe S. Fernandes.

Um estudo exclusivo para o Executiva.pt elegeu as mulheres mais influentes de Portugal

A influência é como o arco-íris, vê-se, mas não se sabe bem onde começa nem onde acaba. Ela depende do poder que se tem, da carreira que se construiu, da fortuna que se possui, da rede que se teceu e da imagem que se projeta. A influência é poder, é dinheiro, é a capacidade de conseguir que as coisas aconteçam. É a qualidade de mudar o curso dos acontecimentos, das decisões.
 A influência pode medir-se pelo currículo e pelos cargos ocupados, a presença mediática, o reconhecimento pelos pares nas áreas de carreira, o impacto social, profissional, político, empresarial,e a fortuna. Mas, como diz o escritor alemão Hans Magnus Enzensberger, a influência vai além do poder: “Não sou o tipo de pessoa que quer exercer o poder. Interessa-me mais a capacidade de influir. Pode ter-se influência sem poder.”

O contexto e o momento condicionam as escolhas. O Diário de Notícias, de 
9 de outubro de 2010, elencava as quatro mulheres mais influentes nos negócios na altura e que eram Cláudia Goya, que então dirigia a Microsoft Portugal, Ana Maria Fernandes, CEO da EDP Renováveis, Vera Pires Coelho, CEO da Edifer, e, a única que ainda hoje se mantém com uma posição relevante, Esmeralda Dourado, que aos 57 anos deixou a liderança executiva da SAG para ter tempo para uma “segunda vida”.

Durante algum tempo a justiça esteve determinada, em termos de organização, pelo poder de quatro mulheres.

Neste estudo procurou fazer-se uma leitura mais ampla e diversificada da influência que em 2015 as mulheres têm na vida económica, social, cultural, artística e científica. Pode verificar-se que durante algum tempo a justiça em termos da sua organização estava determinada pelo poder de quatro mulheres: Joana Marques Vidal, como procuradora-geral da República; Paula Teixeira da Cruz, como ministra da Justiça; Maria José Morgado, 
no DCIAP; e Elina Fraga, como bastonária da Ordem dos Advogados. Curiosamente, no governo liderado por António Costa, o ministério da Justiça volta a ter uma mulher, Francisca Van-Dunem e assim se mantém a liderança feminina.

Há quem tenha influência porque tem peso na gestão e nas empresas como Esmeralda Dourado ou Isabel Vaz, dimensão artística como Paula Rego, Maria João Pires, Joana Vasconcelos e Mariza ou porque atingiu uma projeção científica como Maria Manuel Mota ou Elvira Fortunato. O setor social está representado por Isabel Jonet, presidente do Banco Alimentar, e
 por Leonor Beleza, presidente da Fundação Champalimaud. Mais pacífica é a presença e o impacto de figuras mediáticas como Cristina Ferreira, apresentadora, ou Judite de Sousa, jornalista, ambas da TVI.

Nesta lista é interessante destacar 
a importância de uma empresária estrangeira como é Isabel dos Santos, cujas participações em empresas portuguesas lhe dão um peso relevante. A empresária angolana integra o BBC 100 Women que seleciona as 100 mulheres que fizeram a diferença em 2015, as “inspirational women”.

É significativo também o facto de a política ter permitido que algumas destas mulheres cimentassem a sua influência, como Paula Teixeira da Cruz, Leonor Beleza, Maria Luís Albuquerque, Assunção Esteves ou Manuela Ferreira Leite. Os caminhos para a influência são muitos, mas só alguns podem aspirar a detê-la.

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JOANA MARQUES VIDAL, procuradora-geral da República

Em 2012, Joana Marques Vidal tornava-se, aos 56 anos, a primeira mulher a ocupar o cargo de procuradora-geral da República em Portugal, em 180 anos de magistratura do Ministério Público. Durante o seu mandato foi preso preventivamente um ex-primeiro-ministro, José Sócrates, um banqueiro proeminente, Ricardo Salgado, ficou em prisão domiciliária, e um ministro da Administração Interna, Miguel Macedo, demite-se e é acusado de crimes de prevaricação e de tráfico de influência, o que mostra, por várias razões, o poder e a influência do Ministério Público em Portugal.

Em 2015, a TVI considerou-a a mais poderosa em Portugal numa lista com 30 personalidades. Numa entrevista à Máxima referiu: “Ser mulher nunca afetou a minha carreira, provavelmente porque como não vejo nenhum poder como sagrado, necessariamente nunca vi assim o poder masculino.” Tem a noção de que o poder “é precário, uma coisa efémera. Hoje, está-se num cargo de poder, amanhã, não, e não é por aí que devemos reger a nossa vida.”

Natural de Coimbra, Joana Marques Vidal faz parte de uma família com carreiras ligadas à magistratura, sendo filha do juiz conselheiro jubilado José Marques Vidal, que também foi diretor da Polícia Judiciária e irmã do procurador João Marques Vidal. Licenciou-se em 1978 na Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa e entrou na magistratura do Ministério Público no ano seguinte, onde tem desenvolvido toda a sua carreira. Em 1994, foi promovida a procuradora da República e colocada na comarca de Lisboa. Foi vogal do Conselho Superior do Ministério Público, procuradora da República coordenadora dos magistrados do Ministério Público do Tribunal de Família e Menores de Lisboa, de 1994 a 2002, e diretora-adjunta do Centro de Estudos Judiciários, entre 2002 e 2004. Destacou-se no domínio do Direito da Família e dos Menores, tendo participado da comissão legislativa para a redação da Lei Tutelar Educativa e da comissão que alterou a legislação da adoção. Foi presidente da Associação Portuguesa de Apoio à Vítima (APAV) e vice-presidente da Associação Portuguesa para o Direito dos Menores e da Família — Crescer Ser.

CRISTINA FERREIRA, apresentadora de televisão

Trata o seu nome como uma marca. É uma das figuras mais populares da televisão portuguesa, sendo frequentemente capa de revistas, mas a sua influência estende-se aos negócios de media, moda e perfumaria. Licenciou-se em História e foi professora do ensino secundário durante dois anos. Fez depois o curso de Ciências da Comunicação, na Universidade Independente, e um de apresentação de televisão. Desde 2004 que apresenta, com Manuel Luís Goucha, o programa Você na TV!, talk show matinal da TVI, que é líder de audiências. Desde 1 de dezembro de 2013, Cristina Ferreira, é também a diretora de conteúdos não informativos da TVI.

Tem alargado a sua área de influência no mundo dos negócios. Começou pela moda com uma loja multimarca. Fez uma parceria com a Hush Puppies para uma linha de calçado. Lançou uma linha de sapatos e, com a empresa de venda directa LR Healthy and Beauty, o perfume Meu. Em maio de 2013, lançou o site Daily Cristina e em 2015 a revista mensal Cristina. Em novembro de 2013, foi editado o livro de receitas Deliciosa Cristina, que na primeira semana vendeu 3 mil exemplares. Este ano o programa Caras do Poder considerou-a a 27.ª mais poderosa em Portugal.

ISABEL DOS SANTOS, empresária

A mulher mais rica e poderosa de Portugal é a angolana Isabel dos Santos. Segundo a revista Forbes, é uma das primeiras bilionárias africanas, com uma fortuna avaliada em 3,7 mil milhões de dólares. A sua influência manifesta-se, sobretudo, através dos investimentos feitos na NOS, que controla associada ao grupo Sonae, ao BPI, à Galp Energia, aliada a América Amorim e Sonangol, e, mais recentemente, com o controlo da Efacec em que está a Edel. Contas feitas, são cerca de 3 mil milhões de euros investidos em Portugal. É filha do Presidente de Angola, José Eduardo dos Santos, e, além dos diversos negócios em Angola, que vão das telecomunicações à banca passando pelos cimentos, imobiliário, restauração, cerveja ou distribuição, detém também, em parceria com a Endiama, a marca suíça de joias de luxo De Grisogono. Nasceu em Baku, de mãe russa, e licenciou-se em Engenharia Eletrotécnica, pelo King’s College de Londres. Entre 1995 e 1997 trabalhou na Coopers & Lybrand. Depois regressou a Angola e rapidamente se interessou pelos negócios. Hoje, usa a sua conta de Instagram para mostrar aspetos da sua vida profissional e pessoal. É casada com o empresário Sindika Dokolo e tem três filhos.

ISABEL VAZ, CEO da Luz Saúde

Lidera um dos principais grupos na área da saúde e é cada vez mais uma gestora de referências e de emulação. Filha
de um cardiologista, António José d’Oliveira Aníbal, licenciou-se em Engenharia Química, pelo Instituto Superior Técnico, em 1990. Seguiram-se funções de investigação no Laboratório de Tecnologia de Células Animais e depois o grupo farmacêutico Atral-Cipan, como engenheira de projetos fabris. Em 1992, entrou para a Mckinsey e, em 1994, fez um MBA. Foi nesta altura que se muniu da teoria e dos conhecimentos de gestão de que carecia e que a McKinsey ajudaria a aprimorar. Em 1999, Ricardo Salgado desafiou-a para liderar a área da saúde do grupo. A relação com o grupo Espírito Santo e o seu líder parecia um conto de fadas até que, de súbito, se tornou um pesadelo, em 12 de fevereiro de 2014, com a venda em Bolsa de 49% do capital que rendeu 149,8 milhões de euros. Em 10 de outubro de 2014, a Fidelidade, controlada pela Fosun, arrebata em OPA a Espírito Santo Saúde, que mudou o nome para Luz Saúde. Paga 459,8 milhões de euros e fica com 96% do capital. Isabel Vaz manteve-se. Trabalha entre 12 a 14 horas por dia. Do primeiro casamento com João Filipe Vaz tem dois filhos.

ISABEL JONET, presidente do Banco Alimentar Contra a Fome

A obra social Banco Alimentar Contra a Fome é a marca indelével de Isabel Jonet que, depois de muitos anos a defender que a imagem da instituição era a própria instituição, se deixou arrastar para a cena mediática onde ressaltam todas as suas qualidades, mas também algumas opiniões que alimentam polémicas nos media sociais. Nascida, em Lisboa, a 16 de fevereiro de 1960, é licenciada em Economia, pela Universidade Católica Portuguesa. Trabalhou numa seguradora e no Comité Económico e Social em Bruxelas. Em 1993, iniciou atividade como voluntária no Banco Alimentar Contra a Fome. Hoje, preside também à Federação Europeia dos Bancos Alimentares. Em novembro de 2012, defendeu que não existia miséria em Portugal e que os portugueses tinham de aprender a viver mais pobres, o que originou uma petição a pedir a sua demissão. Em abril de 2104, numa entrevista ao Terça à Noite, da Rádio Renascença, criticou quem não tem trabalho e fica “dias e dias inteiros agarrado ao Facebook, ou a jogos ou a falsos amigos que não existem”, em vez de optarem, por exemplo, por ações de voluntariado que poderiam aumentar a possibilidade de arranjar emprego.

MARIA JOÃO PIRES, pianista

“É considerada como uma das maiores intérpretes vivas. Entre o classicismo e o repertório romântico, Maria João Pires desenvolveu uma carreira brilhante e exemplar, mas nunca abandonou a sua vinculação de compromisso pedagógico e colaboração com os pianistas mais jovens”, escrevia, em abril de 2015, Jesús Ruiz Mantilla na revista
do El País. Em 2015, recebeu o prestigiado Prémio Gramophone, na categoria Concerto, pelo disco editado em 2014 com a gravação dos concertos para piano n.º 3 e n.º 4 de Beethoven. A pianista, que tem a nacionalidade brasileira desde 2010, mas vive na Bélgica, tinha sido finalista do Prémio Gramophone em 2013, na categoria Instrumental, pela sua gravação das sonatas de Schubert, na Deutsche Grammophon. Em 2009 e 2013, Maria João Pires também esteve nomeada para os Grammy, na categoria Melhor Interpretação a Solo, com as suas gravações de Chopin e Schubert, respetivamente.

Nascida em Lisboa, tocou pela primeira vez em público aos 4 anos, aos 5 deu o primeiro recital e aos 7 tocou concertos para piano de Mozart. Entre 1953 e 1960, foi aluna no Conservatório Nacional de Lisboa de Campos Coelho e Francine Benoît. Prosseguiu a sua formação musical na Alemanha, na Academia de Música de Munique, com Rosi Schmid, e mais tarde em Hanover, com Karl Engel. Venceu o concurso internacional do bicentenário de Beethoven em 1970, que se realizou em Bruxelas.

A partir de então, iniciou uma carreira internacional como solista fazendo numerosas digressões e tocando com as grandes orquestras mundiais. Nos tempos áureos da indústria musical, conseguiu colocar nos tops os seus Nocturnos, de Chopin, e Impromptus — Le Voyage Magnifique, de Schubert. Em 1999 tentou criar uma escola de artes inovadora e no interior através do Centro de Belgais para o Estudo das Artes, no concelho de Castelo Branco. A sua filosofia e o método de ensino chegaram a ser aplicados em Salamanca, em Espanha, e no estado da Bahia, no Brasil. Mas, em 2006, acabou por abandonar, com grande amargura, o centro, que fechou em 2009.

PAULA REGO, artista plástica

Em julho de 2015, um dos seus quadros The Cadet and his Sister, de 1988, foi vendido num leilão da Sotheby’s por 1,6 milhões de euros, e que é um novo recorde na obra da pintora. Hoje, é a grande figura das artes plásticas portuguesas em termos internacionais, e é referida como dos quatro maiores pintores vivos em Inglaterra. Paula Rego nasceu em Lisboa, no seio de uma família republicana e liberal, tendo feito o seu desenvolvimento artístico em Londres, onde estudou na Slade School of Fine Art, até 1956. Uma das suas principais referências foi o pintor Jean Dubuffet, que conheceu em Londres. Na década de 60 começou a expor em Inglaterra, mas as suas maiores exposições individuais foram em Portugal. A sua obra foi ganhando maturidade e em 1987, Paula Rego passou a ter como representante da sua obra a galeria Marlborough Fine Art, que deu um grande impulso à divulgação internacional. Apesar de ter vivido grande parte da sua vida em Inglaterra, Paula Rego colocou parte da sua obra na Casa das Histórias Paula Rego, em Cascais, Esta instituição nasce, em 18 de setembro de 2009, com o intuito de acolher e promover a divulgação e estudo da sua obra.

ESMERALDA DOURADO, gestora e empresária

Durante alguns anos foi das poucas mulheres na liderança de uma empresa cotada na Bolsa de Lisboa. Hoje, mantém a sua influência no mundo dos negócios e das empresas como prova o facto de ser administradora não executiva em várias empresas e ter presidido à comissão especial para o acompanhamento do processo de reprivatização da EGF (Empresa Geral de Fomento), que tinha como membros Fernando Santana e Guilherme d’Oliveira Martins. Fez o curso de Engenharia Química Industrial, pelo Instituto Superior Técnico, e iniciou a sua carreira na Covina (indústria de vidro), a que se seguiu a banca como vice-presidente do Citibank, administradora do Banco Fonsecas & Burnay, da União de Bancos Portugueses e do Interbanco, banco criado por João Pereira Coutinho da SAG. Em 2000, passou a ser CEO do grupo SAG, onde é administradora não executiva desde 2010. Nessa altura, quis iniciar uma “segunda vida”. Hoje, além de cargos como executiva em empresas como a Partac, a Imocrafe ou a Brasilimo, tem negócios pessoais e colabora com instituições não lucrativas, presidindo ao conselho consultivo do Centro Hospitalar Lisboa Norte ou ao conselho fiscal da Casa do Povo de Alvaiázere e da Santa Casa da Misericórdia de Alvaiázere.

MARIA MANUEL MOTA, cientista

O domínio da sua investigação é a malária, que depois da sua primeira grande descoberta, em 1999, quando estava no Centro Médico da Universidade de Nova Iorque, lhe rendeu um artigo na revista Science. A partir de então, cimentou a sua reputação e investigação e há 12 anos que lidera uma equipa no Instituto de Medicina Molecular. Natural de Gaia foi durante o mestrado de Imunologia, que fez ainda no ICBAS, depois de ter feito a licenciatura em Biologia, na Faculdade de Ciências do Porto, que Maria Manuel Mota se embrenhou no mundo dos parasitas. Seguiu-se o convite para o doutoramento em Londres na área da malária. Na época, a investigação na malária “era um campo um bocado morto, não havia dinheiro, os laboratórios de parasitologia eram velhos, as pessoas eram antigas”. Mas a emergência, em 1994, da Fundação Bill & Melinda Gates trouxe dinheiro e um élan diferente à investigação. Maria Manuel Mota voltou, em 2002, para Portugal, para Instituto Gulbenkian de Ciência, seguindo-se em 2005 o IMM, altura em que começou a dar aulas na Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa. É fundadora e presidente da Associação Viver a Ciência, para apoiar a filantropia em Portugal.

JOANA VASCONCELOS, artista plástica

Em 2013, segundo o jornal Le Figaro, a exposição de Joana Vasconcelos, realizada em 2012, no Palácio de Versalhes, liderava o top das cinco mais visitadas em Paris, nos últimos 50 anos, com 1,6 milhões de entradas. Em 2013, a sua exposição no Palácio da Ajuda foi a mais vista de sempre em Portugal (235 mil pessoas visitantes). Nasceu em Paris. Estudou na Ar.Co, onde andou sete anos, depois de ter falhado arquitetura e ter passado pelo IADE. Começou a expor desde meados da década de 90. O reconhecimento internacional aumentou com a participação na 51.ª Exposição Internacional de Arte — La Biennale di Venezia, em 2005, e os momentos relevantes na sua carreira recente incluem o projeto Trafaria Praia, Pavilhão de Portugal na 55.ª Exposição Internacional de Arte – La Biennale di Venezia (2013), a individual no Château de Versailles, em França (2012), a participação na coletiva “The World Belongs to You”, no Palazzo Grassi/François Pinault Foundation, em Veneza (2011), e a sua primeira retrospetiva, apresentada no Museu Coleção Berardo, em Lisboa (2010). A historiadora de arte Raquel Henriques da Silva vê nela “uma empresária de sucesso que acredita na vitalidade, na possibilidade da imagem contemporânea das artes tradicionais portuguesas”

PAULA TEIXEIRA DA CRUZ, ex-ministra da Justiça

Conhecida como advogada e pela sua atividade política no PSD, em que milita desde 1995, foi com o exercício do cargo de ministra de Justiça, entre 2011 e 2015, que ganhou notoriedade, influência e poder. Já foi vereadora da Câmara Municipal de Lisboa, mas tornou-se uma referência para o partido, sobretudo devido à reforma judiciária em que confrontou com a oposição dos vários poderes corporativos e políticos. Tem revelado uma certa autonomia doutrinária, tendo em novembro passado, já como deputada do PSD, votado a favor dos projectos de lei apresentados por PS, BE, PCP e PEV para revogar as alterações à lei da interrupção voluntária da gravidez (IVG) aprovadas na anterior legislatura por PSD e CDS-PP, contra o sentido de voto contra estabelecido pela sua bancada dizendo: “Assumi a minha liberdade, arcarei com a minha responsabilidade.” Tem em Albert Camus o seu escritor fetiche, nomeadamente, O Homem Revoltado e O Mito de Sísifo. Por isso, disse numa entrevista a Anabela Mota Ribeiro que “não há nada neutro. Perante cada ato, por mais pequenino ou indiferente que possa ser, há consequências e é preciso ter isso sempre presente. É a ideia de Sísifo, de que gosto muito”. Veio de Angola para Portugal em 1975, esteve na Suíça num colégio interno, em Inglaterra juntamente com os irmãos, e licenciou-se em Direito, na Faculdade de Direito da Universidade Livre de Lisboa, em 1983.

Até 1987, foi docente na mesma universidade, bem como na Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa, lecionando mais tarde no Instituto de Estudos Superiores Financeiros e Fiscais, entre 1991 e 1992, nomeadamente Direito Administrativo. Advogada desde 1992, está atualmente na sociedade de advogados F. Castelo Branco & Associados. Na área da justiça já tinha ocupado cargos destacados como membro do Conselho Superior da Magistratura (2003-2005), do Conselho Geral da Ordem dos Advogados (2002-2005) e do Conselho Superior do Ministério Público (1999-2003). É divorciada, desde outubro de 2008, de Paulo Teixeira Pinto, político do PSD e ex-presidente do BCP, com quem casou em 1984. Teve dois filhos, Catarina e Paulo, que faleceu em 2008.

MARIA LUÍS ALBUQUERQUE, ex-ministra das Finanças

A sua nomeação para ministra das Finanças provocou, em julho de 2013, a demissão “irrevogável” de Paulo Portas. Este reconsiderou e Maria Luís Albuquerque tornou-se uma figura de proa da política portuguesa. Nasceu em Braga e licenciou-se em Economia, na Faculdade de Economia da Universidade Lusíada de Lisboa, em 1991, e é mestra em Economia Monetária e Financeira. Foi professora na Universidade Lusíada de Lisboa, tendo sido docente de Pedro Passos Coelho. Passou pela Direção-Geral do Tesouro e Finanças, entre 1996 e 1999, pelo Gabinete de Estudos e Prospetiva Económica do Ministério da Economia, entre 1999 e 2001, foi assessora do secretário de Estado do Tesouro e das Finanças, em 2001, diretora do Departamento de Gestão Financeira da REFER, entre 2001 e 2007, e coordenou o Núcleo de Emissões e Mercados do Instituto de Gestão da Tesouraria e do Crédito Público, entre 2007 e 2011. Foi depois secretária de Estado do Tesouro e Finanças, entre junho de 2011 e outubro de 2012, e secretária de Estado do Tesouro, entre outubro de 2012 e junho de 2013, foi indigitada como ministra de Estado e das Finanças, substituindo Vítor Gaspar.

MARIA JOSÉ MORGADO, diretora do Departamento de Investigação e Ação Penal

A diretora do Departamento de Investigação e Ação Penal tem defendido uma luta sem quartel à corrupção porque como disse numa entrevista, em fevereiro de 2015, à RTP 3, “nesta área temos um inimigo sem rosto porque estamos no domínio do crime sem vítima, porque a vítima somos todos nós e não nos podemos queixar coletivamente. Estes são os custos intangíveis da corrupção: são mais défice público, mais despesa pública, serviços públicos mais caros, injustiça fiscal”. Nasceu em Malange e é licenciada em Direito, pela Universidade de Lisboa, tendo ingressado na magistratura do Ministério Público em 1979. Enquanto estudante, foi militante PCTP/MRPP onde conheceu o falecido fiscalista José Saldanha Sanches como quem casou. Chefiou, entre novembro de 2000 e agosto de 2002, a Direção Central de Investigação da Corrupção e da Criminalidade Económica e Financeira da Polícia Judiciária. Pelas suas mãos passaram os processos do Apito Dourado, os casos Vale e Azevedo, paquetes da Expo, subornos na GNR e corrupção no Fisco ou na Câmara de Lisboa, Vitória de Guimarães/Pimenta Machado. Foi ainda a acusadora pública no caso Melancia.

ASSUNÇÃO ESTEVES, ex-presidente da Assembleia da República

Foi a primeira mulher a ocupar o cargo de presidente da Assembleia da República, a segunda figura do Estado e a primeira juíza conselheira do Tribunal Constitucional. Durante este período como presidente da Assembleia da República, tornou-se notada pelos seus discursos redondos. Na sua despedida foi elogiada por todos os partidos e Assunção Esteves disse então que “amei o Parlamento” e “nunca deixarei de ser política e de estar na política. Sinto que a política é o lugar em que clamorosamente jogamos a nossa existência”. Nasceu em Valpaços e é licenciada em Direito (1980) e mestre (1989) em Ciências Político-Jurídicas, pela Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa. E entre a vida académica, nomeadamente como professora na Faculdade de Direito de Lisboa, e a política, como militante, dirigente e deputada na Assembleia da República e no Parlamento Europeu pelo PSD, assim se teceu a vida pública de Assunção Esteves. O seu campo de investigação foram o Direito Constitucional e dos Direitos fundamentais. Entre 1989 e 1998, foi a primeira juíza conselheira do Tribunal Constitucional, cargo de que está
atualmente reformada.

MANUELA FERREIRA LEITE, política e comentadora

Foi a primeira mulher a ser ministra das Finanças e a primeira a liderar um partido. Desde que deixou a liderança do PSD, tornou-se comentadora nos media. É uma conselheira escutada por Cavaco Silva, e a sua candidatura à presidência chegou a ser sugerida por figuras próximas do PS. Nasceu em Lisboa e licenciou-se em Economia, pelo Instituto Superior de Ciências Económicas e Financeiras, em 1963. Foi investigadora e depois técnica do Centro de Economia e Finanças do Instituto Gulbenkian de Ciência. Depois, ocupou-se da docência no ISEG e a gestão em empresas públicas. Em 1977, tornou-se coordenadora do Núcleo de Finanças Públicas e Mercado de Capitais do Gabinete de Estudos do Banco de Portugal, e, em 1986, diretora-geral da Contabilidade Pública. Em 1990, chegou ao governo tendo sido secretária de Estado Adjunta e do Orçamento, ministra da Educação e ministra das Finanças. Foi deputada e líder do PSD, entre 2008 e 2010. Foi membro do conselho consultivo do Instituto Gulbenkian de Ciência, e dos conselhos superior e de orientação estratégica da Universidade Católica Portuguesa, presidente do conselho de administração do ISLA, e administradora não executiva do Banco Santander Totta, entre 2006 e 2008.

JUDITE DE SOUSA, jornalista e sub-diretora de informação da TVI

Esta jornalista é hoje um dos principais ativos da informação da TVI, apesar das polémicas pessoais que envolveram a sua vida pessoal, como o divórcio, em 2013, de Fernando Seara, ou as sequelas da trágica morte do único filho em 2014. Nasceu no Porto e licenciou-se em História, pela Faculdade de Letras da Universidade do Porto, em 1987. Anos antes, em junho de 1979 tinha entrado para RTP no Porto, não porque ambicionasse ser jornalista, mas “por necessidade, precisava de um emprego.” Foi o início de uma carreira de sucesso. Ainda esteve um ano na Rádio Macau, mas regressou ao Porto e começou como pivô do Jornal da Tarde, mudando-se mais tarde, em 1991, a convite de José Eduardo Moniz, para Lisboa, para apresentar o Telejornal. Em 2000, foi nomeada diretora-adjunta de Informação da RTP, colaborando com José Rodrigues dos Santos. Em 2011, deixou a RTP e com José Alberto de Carvalho passou para a TVI, onde também é subdiretora de informação. Num perfil Diana Andringa escreveu que Judite de Sousa se define como “uma ‘fossona’, aquele tipo de pessoas que está sempre disponível e que vai a todas, que nunca põe limitações”. A morte do filho, em 29 de junho de 2014, de forma acidental foi um grande choque emocional. Nessa altura, depois de algum tempo retirada disse à revista VIP disse: “Recebo milhares de cartas de pessoas que me querem ver, que me querem ver a trabalhar. Tenho de voltar, é aquilo que esperam de mim, é a minha vida.”

Numa entrevista à Máxima referiu que, “sinceramente, nunca experimentei qualquer diferença de género, a não ser uma… em termos de remuneração! Numa dada altura da carreira, tinha tanto trabalho como colegas meus, tantos resultados como eles, tanta notoriedade como eles, mas ganhava menos”. Mantém-se, contudo, como uma das imagens mais fortes da informação da TVI e com grande impacto mediático. Escreveu livros como, Álvaro, Eugénia e Ana: Álvaro Cunhal — O homem por trás do político, Olá Mariana — O poder da pergunta, A Vida É Um Minuto — O poder e a imagem, Segredos, Os Nossos Príncipes, e Olhos nos Olhos, em colaboração com Medina Carreira.

ELINA FRAGA, Bastonária da Ordem dos Advogados

É uma das figuras-chave na justiça portuguesa. Em 2014, Elina Fraga tornou- se a segunda mulher na história da Ordem dos Advogados a ser eleita bastonária depois de Maria de Jesus Serra Lopes, que exerceu o cargo entre 1990-1992, e a mais jovem de sempre, tinha 43 anos, tantos quantos os que Rogério Alves tinha quando foi eleito. Substituiu António Marinho Pinto e adotou um estilo mais sóbrio, mas igualmente combativo, reflexivo, mas acutilante, determinado, e mantendo as características que a trouxeram do escritório de advocacia em Mirandela para o topo da advocacia e que foram a capacidade de trabalho e pensar três vezes antes de decidir. Natural de Valpaços, licenciou-se em Direito, pela Faculdade de Direito de Coimbra, e é advogada desde 1996. Em 2008, entrou como vogal do conselho geral da Ordem dos Advogados e, em 2011, passou a primeira vice-presidente da Ordem dos Advogados e vogal do conselho-geral. Em termos políticos, teve passagens pelo CDS e pelo PSD. Recentemente, defendeu que se continua a produzir muita legislação, mas que “não se teve em conta o interesse direto e imediato do destinatário da justiça, que é o cidadão” e que a justiça está “mais lenta, mais cara e afastada” do cidadão.

ELVIRA FORTUNATO, cientista

Tornou-se conhecida por ter criado o primeiro transístor (chip) de papel, com aplicações tão variadas como écrans
de papel, chips de identificação ou aplicações médicas. A licenciada em Engenharia Física e dos Materiais, pela Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa, onde se doutorou em Engenharia dos Materiais, foi recentemente um dos sete cientistas europeus escolhidos para integrar a estrutura de aconselhamento científico da Comissão Europeia, lançada por Carlos Moedas. Em 2015, foi nomeada, pelo Presidente da República, como presidente da Comissão Organizadora das Comemorações do Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas, que se realizou em Lamego. Em 2008, recebeu uma das Bolsas Avançadas do “European Research Council” no valor de 2,25 milhões de euros, para, durante cinco anos, desenvolver trabalho na área da microeletrónica transparente. Natural de Almada, a cientista diz que “Portugal é grande, os portugueses é que são pequeninos” e, que “Portugal precisa de que os portugueses trabalhem na sua evolução”. As suas descobertas já deram origem a 16 patentes, cinco das quais internacionais e uma em parceria com a Samsung.

LEONOR BELEZA, presidente da Fundação Champalimaud

Nos anos 90, era uma das estrelas políticas ascendentes, mas os processos relativos à construção do Hospital São Francisco Xavier e à compra de sangue, quando era ministra da Saúde, poriam fim à sua carreira política. É presidente da Fundação Champalimaud, desde 2004, conforme decisão de António Champalimaud, deixada em testamento. Nasceu no Porto e licenciou-se em Direito, em 1972, na Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa, onde iniciou uma carreira académica, tendo colaborado na reforma de 1977 do Código Civil português. Entrou para a SEDES, antes do 25 de abril de 1974, e, depois da instauração da democracia, aderiu ao PPD. Foi deputada entre 1983 e 2005. Fez parte de três governos, como secretária de Estado da Presidência do Conselho de Ministros (1982-1983), secretária de Estado da Segurança Social (1983-1985), e como ministra da Saúde (1985-1990). Sempre lutou pela igualdade de género e diz que veria com bons olhos uma mulher na Presidência da República: “Vejo sempre com bons olhos mulheres em todos os cargos que são politicamente relevantes ou relevantes de outro ponto de vista. As questões relacionadas com o estatuto das mulheres são, para mim, questões de uma vida inteira.”

MARIZA, fadista

Depois de um interregno de cinco anos e mais de um milhão de discos vendidos, lançou em Outubro, “Mundo”. O El País escreveu que “como um Frank Sinatra no feminino”, chegam-lhe “de todas as partes composições pensadas para ela”. Em 2001, lançou o seu primeiro disco, “Fado em Mim”, que foi uma edição privada, mas depois editado em 32 países. Com este trabalho conquistou os primeiros prémios e iniciou a sua carreira internacional. Como escreveu o Público, “Mariza tornou-se, do dia para a noite, uma estrela maior do que o mundo da guitarra portuguesa. Em pouco tempo, o seu alcance tornou-se global”. Nasceu em Maputo, mas viveu quase sempre na Lisboa antiga. Diz-se “cantadeira de fados” — começou a cantá-lo por influência familiar — e passou por palcos como o Carnegie Hall, em Nova Iorque, o Walt Disney Concert Hall, em Los Angeles, com uma cenografia de Frank Gehry, o Lobero Theater, em Santa Bárbara, a Salle Pleyel, em Paris, a Ópera de Sydney ou o Royal Albert Hall. O jornal britânico The Guardian considerou-a “uma diva da música do mundo”. Hoje, como diz o El País, “sejam finlandeses ou brasileiros, Mariza aparece sobre o cenário como uma deusa, uma sacerdotisa. Não se vai ouvir, vai-se sentir”.