10 lições de Helena Vieira

A Bioalvo foi a primeira experiência da bióloga Helena Vieira no mundo dos negócios. Em sete anos viveu um sonho, depois um pesadelo, com o encerramento da empresa. Mas não desistiu e hoje usa o que aprendeu no seu novo projeto, a MySkinmix

A MySkinmix devolveu o sorriso a Helena Vieira

“O ano é o de 2002. O local Londres. O projecto – o doutoramento numa das melhores escolas da Europa. O gatilho – um email: “Aqui está a tua oportunidade. Beijinhos, Diogo Araújo”, seguido do regulamento de um concurso de ideias – Bioempreendedor Ibérico 2002. E aí, nesse curto espaço de um mês até ao prazo final de candidatura nascem os primórdios do meu maior projecto de empreendedorismo, ainda antes de eu saber que o era – a Bioalvo.
Ganhámos o 1º prémio. Passaram mais três anos, mais concursos e prémios e em 2006 a Bioalvo nasce formalmente como empresa de biotecnologia 100% nacional, que se dedicou a explorar os biorecursos marinhos do nosso extenso mar. Mas fez mais, diferenciou-os e criou produtos de valor acrescentado para mercados tão vastos e dinâmicos como a saúde, cosmética, agroalimentar ou até têxtil.

A Bioalvo tornou-se um caso de estudo internacional e mudou uma geração de empreendedores em Portugal, os da ciência

O que começou como uma ideia testada em concursos de ideias tornou-se numa das maiores empresas nacionais de biotecnologia, e num exemplo de sucesso e caso de estudo internacional. Pela Bioalvo passaram mais de 100 pessoas ao longo dos seus 11 anos de existência e apresentamo-nos a nós e a Portugal pelos quatro cantos do mundo. Mudámos uma geração de empreendedores em Portugal – os da ciência. Demonstrámos que também aqui é possível levantar milhões de euros em investimento, entrar nas redes de excelência internacional e, principalmente, desenvolver produtos inovadores para mercados globais usando a ciência nacional.

Mas acabou. Em abril de 2013 os accionistas maioritários da empresa decidiram desinvestir e desmantelar a empresa. No dia 30 de Outubro de 2013 o sonho acabou e eu sai pelo meu próprio pé do maior projecto da minha vida profissional…
E agora perguntam-me, o que aprendeste? “Se eu soubesse na altura o que sei hoje” – é certamente o ditado que nos vem à mente… Mas na verdade, faria tudo igual, menos algumas coisitas! E são essas lições que deixo aqui em jeito de “do’s and dont’s” numa primeira viagem pelos meandros do empreendedorismo:

A fazer:

1. Têm que ter paixão e garra. Sim, eu sei que todos achamos que temos. Mas acreditem, precisam dessa toda vezes 10! Porque a lei de Murphy existe!
2. Acreditem no vosso produto. Mas acreditem mesmo! Sonhem, respirem e vivam esse sonho! Só assim conseguem contaminar os outros e abrir caminho. Contem a vossa história vezes sem fim. Lead by example….
3. Nada é impossível – I’m possible! Está na palavra. A vida de um empreendedor é essa mesma – arranjar maneiras de fazer aquilo que tudo e todos lhe dizem ser impossível. Mesmo quando termina o que se aprende pelo caminho é inigualável a 1000 empregos.
4. Escolham uma equipa cheia de pessoas melhores que vocês. Sim, melhores que tu! Vão precisar de toda a ajuda que conseguirem. E que seja fantástica e diferenciadora! E ensinem outros tantos pelo caminho. Mais tarde poderão ser-vos úteis!
5. Planeiem para o pior e esperem o melhor. Nada vai correr como pensam ou planearam. Vão sempre surgir imprevistos. Procurem dinheiro quando não precisam dele e mantenham sempre em mente o plano B, e C… Acreditem, o dinheiro estica sempre mais do que pensamos. Adaptação é a palavra chave! Já Darwin dizia que os que sobrevivem não são os mais rápidos ou fortes, mas sim os que se adaptam rapidamente à mudança….

Não fazer:

6. Não descurem o mercado. Há alguém que precisa do vosso produto? Porquê? E porque vão escolher-vos e não aos vossos concorrentes? Esta é particularmente válida para projectos científicos que muitas vezes partem de uma tecnologia que desenvolveram no laboratório e não de uma necessidade de mercado clara para a qual criaram uma solução.
7. Não tenham medo de crescer depressa. Empreender é durante todo o processo. Não é só ao início. Visão ambiciosa é importante. Mas não sejam idiotamente megalómanos. Humildade é, e sempre foi, o meu maior aliado.
8. Não parem de aprender. Continuem sempre a investir na vossa formação. Oiçam sempre pessoas novas, opiniões diferentes, leiam e vejam como outros fazem no resto do mundo! Só sei que nada sei…. Até morrer.
9. Não escolham qualquer parceiro financeiro só porque tem dinheiro disponível para vos dar. Escolham “smart money”. Se não houver aqui, mais vale demorar mais uns meses a começar mas procurem o investidor certo! E não o façam sozinhos arranjem um bom advogado para fazer o acordo! E não é o amigo advogado!
10. Peçam ajuda quando precisam. Peçam conselhos. Mas usem pimenta e sal na aplicação! Nada substitui a vossa intuição! E se ela vos disser que têm de sair de uma batalha perdida o melhor é ouvi-la…

Sei que esta foi a primeira contracurva do meu caminho de empreendedora. O meu novo projeto é agora a MYSKINMIX

Sei que tenho ainda muito mais para aprender, que esta foi só a primeira contracurva do meu caminho de empreendedora. Pois também sei que este bichinho do empreendedorismo quando infecta não tem cura! Por isso estou agora noutra recta com um novo projeto: A MY.SKINMIX é um conceito inovador na cosmética que junta a co-criação à tecnologia cosmética. Com a MY.SKINMIX o cliente escolha a textura, actividade e aroma que mais gosta ou necessita, personalizando assim de uma forma totalmente nova o seu próprio creme, fazendo-o ele próprio!
Se vai correr bem? Não sei… Se vale a pena tentar? Claro…. A vida não seria a mesma se não tentasse. ‘Se sempre fizer o que sempre fiz obterei sempre o mesmo que sempre obtive!’ (Henry Ford).”