O ano de 2016 foi pautado por inúmeros acontecimentos – positivos e negativos. Reunimos os momentos mais marcantes protagonizados pelo sexo feminino. Os altos cargos políticos, os lugares de CEO nas empresas, os prémios, as medalhas no desporto, os estudos que comprovam a atual situação da mulher em Portugal e no Mundo, não descurando os obituários de grandes personalidades – este o balanço das mulheres que mais se destacaram ao longo deste ano.

Mulheres na topo da política

  • Hillary Clinton foi a primeira mulher a ser nomeada para uma corrida presidencial no seu país. Contudo, foi derrotada por Donald Trump.
  • Iniciou-se o mandato de Tsai Ing-wen, a primeira mulher a chegar à presidência do Taiwan.
  • Theresa May, líder do Partido Conservador, assumiu o cargo de primeira ministra do Reino Unido, após o pedido de demissão de David Cameron na sequência do Brexit. May torna-se na segunda mulher no cargo, décadas depois da também conservadora Margaret Thatcher.
  • António Guterres escolheu três mulheres para fazerem parte de sua equipa, na ONU. A nigeriana, Amina Mohammed, é a nova secretária-geral adjunta. O cargo foi criado em 1998 e a primeira pessoa a ocupá-lo foi uma mulher, a canadiana Louise Fréchette. Era então secretário-geral da ONU Kofi Annan. O secretário-geral das Nações Unidas nomeou a brasileira Maria Luiza Ribeiro para chefe de gabinete e a sul-coreana Kyung-wha Kangé para o novo cargo de assessora especial para a área da política.
  • Kellyanne Conway tornou-se a primeira mulher a administrar uma campanha presidencial bem-sucedida. A estrategista republicana de 49 anos foi promovida a terceira gestora de campanha de Trump em agosto, em mais uma das reviravoltas na equipe do presidente eleito.

Vilãs na política

  • Park Geunhye é afastada da presidência da Coreia do Sul pelo processo de Impeachment. Park Geun-Hye, foi destituída do cargo, após se envolver no grave escândalo no qual uma das pivôs recebeu o apelido de “Rasputina coreana”. O parlamento aprovou o impeachment após uma investigação para apurar o envolvimento de uma mulher chamada Choi Soon-il nas decisões do governo, mesmo sem ocupar qualquer cargo oficial.
  • A presidente brasileira Dilma Rouseff é afastada do cargo pelo Senado Brasileiro. A ex-presidente foi acusada de “crime de responsabilidade” por cobrir défices orçamentais e abastecer os cofres com empréstimos de bancos estatais durante a campanha de reeleição em 2014. Michel Temer, o seu vice-presidente, assumiu o seu cargo.

Prémios para mulheres que dão o máximo

  • A paredense Cecília Leal foi distinguida com o National Institutes of Health Director’s New Innovator Award 2016. Este prémio foi fruto do seu trabalho como investigadora nos Estados Unidos da América. A professora assistente do departamento de Ciência e Engenharia de Materiais da Universidade de Illinois, Urbana-Champaign, foi um dos premiados deste título, que reconhece o trabalho dos cientistas mais promissores do país. Com esta distinção, a natural de Lordelo recebe um prémio de 1,5 milhões de euros, que será entregue ao longo de cinco anos, para uma nova investigação na área da nanotecnologia e biomedicina.
  • Susana Sargento, cofundadora da empresa Veniam em Portugal, venceu o 1.º lugar do Prémio Mulheres Inovadoras da UE 2016, que distingue mulheres com ideias de vanguarda. A ideia desta empreendedora portuguesa transforma os veículos em pontos de acesso Wi-fi e cria redes móveis à escala das cidades que recolhem terabytes de dados urbanos. O 1.º prémio atribuído a Susana Sargento, no valor de 100 000 euros, tem por objetivo consciencializar o público para a necessidade de mais mulheres inovadoras e empreendedoras.
  • A presidente executiva e criadora da marca Pelcor voltou a ser premiada a nível internacional e recebeu o “The Annual Enterprising Women of the Year Awards”. Sandra Correia foi a única portuguesa premiada entre as 101 vencedoras, onde constam mulheres dos Estados Unidos, China, Egito, África do Sul, Uganda e Reino Unido. Os prémios foram atribuídos em sete categorias distintas, de acordo com o volume de negócios das respetivas empresas, e Sandra Correia surge no grupo das empresas com uma faturação entre os 5 e os 10 milhões de dólares.
  • Madre Teresa é canonizada pelo Papa Francisco passando a ser conhecida por Santa Teresa de Calcutá.

Mais mulheres como CEO

  • De acordo com a pesquisa International Business Report (IBR) – Women in Business, realizada pela Grant Thornton, em 36 países, a presença de mulheres em cargos de CEO aumentou de 5% em 2015 para 11% este ano.
  • Primeira mulher a chefiar a bolsa de Lisboa desde 1769 – Maria João Carioca assumiu o cargo de CEO da Euronext Lisbon, CEO da Interbolsa e membro do Conselho de Administração da Euronext N.V.
  • Dez anos depois, Gabriela Figueiredo Dias chega à liderança da CMVM. Mais de um ano depois, Carlos Tavares já tem sucessor na liderança da Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM). A escolha do Governo recaiu em Gabriela Figueiredo Dias, até agora vice-presidente do regulador do mercado de capitais. Licenciada em Direito, está na entidade desde 2007.
  • Emma Walmsley, atualmente chefe da divisão de Saúde do Consumidor da GlaxoSmithKline (GSK) foi nomeada CEO pelo seu sucessor Sir Andrew Witty, da gigante farmacêutica britânica GSK. Walmsley junta-se a cérebros de negócios como Carolyn McCall, da Easyjet. Tornando-se o sétimo chefe feminino na FTSE 100 – índice que representa um pool de 100 ações representativas da Bolsa de Valores em Londres, visando detetar movimentos de alta ou baixa nas cotações. Walmsley vai juntar-se ao conselho a 1 de janeiro de 2017 e assumirá o comando a partir do final de março.
  • Alison Brittain é uma das principais banqueiras do Reino Unido e foi uma escolha surpresa para suceder Andy Harrison, como CEO do grupo Whitbread – que possui marcas como Costa Coffee e Premier Inns. Em janeiro de 2016, tornou-se a sexta executiva do FTSE 100.
  • Carla Hayden é a primeira mulher e a primeira afro-americana a assumir a liderança da Biblioteca do Congresso norte-americano, a maior biblioteca do mundo, criada pelo presidente John Adams em 1800.

Desporto: Mulheres Medalhadas

  • Telma Monteiro, judoca portuguesa, conquistou a medalha de bronze nos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro, depois de uma carreira que contava já com inúmeras medalhas.
  • Ana Dulce Félix conquistou a medalha de prata por Portugal nos 10.000 metros do Campeonato da Europa de Atletismo de Amesterdão.
  • Sara Moreira sagrou-se campeã da Europa na meia-maratona nos Europeus de Atletismo de Amesterdão. Jéssica Augusto termina em 3º lugar, conquistando também o bronze para Portugal.
  • Patrícia Mamona foi consagrada como campeã europeia em Triplo Salto com a marca de 14.58m, novo recorde nacional da especialidade.

Mulheres que se destacam

  • As 20 mulheres mais influentes de Portugal foram eleitas pela Executiva tendo por base um estudo com os seguintes parâmetros: carreira; imagem; rede; poder e fortuna. De forma muito equiparada, os nomes surgiram. Joana Marques Vidal, procuradora-geral da República; Cristina Ferreira, apresentadora de televisão; Isabel dos santos, empresária; Isabel Vaz, CEO da Luz Saúde; Isabel Jonet, presidente do Banco Alimentar Contra a Fome; Maria João Pires, pianista; Paula Rego, artista plástica; Esmeralda Dourado, gestora e empresária; Maria Manuel Mota, cientista; Joana Vasconcelos, artista plástica; Paula Teixeira da Cruz, ex-ministra da justiça; Maria Luís Albuquerque, ex-ministra das finanças; Maria João Morgado, diretora do departamento de Investigação e Ação Penal; Assunção esteves, ex-presidente da Assembleia da República; Manuela Ferreira Leite, política e comentadora; Judite Sousa, jornalista e sub-diretora de informação da TVI; Elina Fraga, Bastonária da Ordem dos Advogados; Elvira Fortunato, cientista; Leonor Beleza, presidente da Fundação Champalimaud e Mariza, fadista.
  • O Papa Francisco nomeou a primeira mulher à frente dos museus do Vaticano. Barbara Jatta assumirá funções em Janeiro de 2017, era uma escolha natural, na medida em que já vinha desempenhando o cargo de vice-diretora desde Junho deste ano, desenvolvendo um trabalho de proximidade com o anterior diretor, Antonio Paoluci. Mas ainda assim o anúncio da sua nomeação não deixou de causar surpresa, pois é a primeira vez que uma mulher ocupará este cargo.

Violência Feminina

  • Mulher violada e torturada choca Argentina. Irma Ferreira da Rocha morreu depois de ter sido brutalmente violada Na Argentina, é morta uma mulher a cada 30 horas. Representativo de inúmeros casos que ocorreram por todo o mundo, durante este ano, no Brasil, na guerra da Síria, um pouco por todo o mundo, mulheres são torturadas e escravizadas, todos os dias.
  • Não há dia, em Portugal, que não haja uma mulher numa esquadra da PSP ou num posto da GNR a queixar-se de um crime sexual. O ano ainda não terminou e as forças de segurança já contam quase 700 denúncias. A Associação de Mulheres contra a Violência denuncia a ausência de um serviço de apoio específico para estas pessoas. Já a GNR registou, nos primeiros seis meses de 2016, 200 crimes sexuais contra mulheres: 26 casos de violação e 174 crimes contra a liberdade e a autodeterminação sexual. Os casos de violência doméstica têm vindo a aumentar, nos últimos anos. 
  • A desigualdade salarial entre géneros mantem-se. As mulheres portuguesas trabalham, em média, mais 61 dias por ano sem remuneração, em comparação com os homens, apesar dos progressos conseguidos em termos de habilitações académicas e experiência profissional. Esta é a conclusão da Comissão para a Igualdade no Trabalho e no Emprego (CITE). De acordo com os dados do Gabinete de Estratégia e Planeamento do Ministério do Trabalho e Solidariedade Social (GEP-MTSS), os salários médios das mulheres são inferiores em 16,7% aos dos homens, o que corresponde a menos 61 dias de trabalho remunerado. Portugal é o quarto país da União Europeia com a maior desigualdade salarial. Os dados do Eurostat de 2014, divulgados no mês corrente, revelam que a discrepância salarial portuguesa só é superada pelo Chipre, a Roménia e a Polónia que lidera o ranking. O país com menor desigualdade salarial é a Suécia 

Obituário

  • Zsa Zsa Gabor, atriz húngara, morreu dia 18 de dezembro de 2016, aos 99 anos, vítima de um ataque cardíaco. Depois de ser eleita miss na Hungria, tornou-se atriz de cinema nos Estados Unidos. A sua vida pessoal, porém, deu-lhe mais espaço nos média do que, propriamente, os seus trabalhos. Teve nove maridos, sete divórcios e uma anulação. Porém, teve pontos altos na sua carreira, ao fazer parte do elenco de filmes, como “Moulin Rouge” e “Lili” nos anos 1950.
  • Nancy Davis Reagan nascida, Anne Frances Robbins, morreu a 6 de Março de 2016, aos 94 anos. Foi primeira-dama dos Estados Unidos entre 1981 e 1989. Antes do casamento com o ex-presidente, atuou em vários filmes de Hollywood nas décadas de 1940 e 1950 sob o nome artístico de Nancy Davis.
  • Carrie Fisher, a actriz que ficará conhecida como a princesa Leia de Star Wars, morreu em Los Angeles, aos 60 anos de idade. Era também escritora e argumentista.
  • “Ela queria estar com a Carrie.” Foi desta forma que Todd Fisher confirmou a morte da mãe, a actriz Debbie Reynolds. Tinha 84 anos e não resistiu ao desaparecimento da filha, Carrie Fisher, apenas um dia antes. Debbie Reynolds foi  Kathy Selden de Serenata à Chuva, que co-protagonizou com Gene Kelly e Donald O’Connor, e estrela dos musicais da “golden age”.
  • Yvette Chauviré, estrela maior do ballet clássico francês, a única a merecer o título de prima ballerina assoluta, morreu a 20 de Outubro de 2016, aos 99 anos. Com apenas 15 anos, ingressou no corpo de ballet e iniciou a sua ascensão para o estrelato. É-lhe atribuído o título de primeira-bailarina em 1937.
  • Em 2016 também desapareceu uma das maiores cientistas de todos os tempos, a astrofísica Vera Rubin, que provou a existência da matéria negra.