Qual a diferença entre UX e UI?

Pode (ainda) não saber o que estas siglas representam, mas elas fazem parte do seu dia-a-dia. Perceba melhor como.

Estes conceitos são determinantes na forma como usa a tecnologia.

Texto de Jessica Viana, UX Copywriter na Monday

 

No universo do design, muitas vezes ouvimos falar em UX e UI e, quase sempre, estes dois termos aparecem juntos. O que é facto é que são duas áreas distintas, mas que se complementam. É normal que causem confusão à primeira vista, ou até mesmo que se ache que são uma mesma coisa. Saiba o que significam e de que forma trabalham em conjunto – assim como de que forma existem em separado. No final deste artigo, vai ter as definições na ponta da língua!

User Experience (UX)

Tal como o nome indica, e traduzindo, é a experiência do utilizador, ou seja, toda a relação que alguém tem com um produto ou serviço. O utilizador está no centro de todo o processo, devendo o serviço servir o propósito de ser fácil de utilizar, assim como de garantir que é simples e intuitivo.

Na sua génese, e ainda que sendo um termo abrangente, inclui o estudo do efeito do design na facilitação do uso e do nível de satisfação de um utilizador quando entra em contacto com algum produto. A experiência de interação começa no momento em que o utilizador entra em contacto com o produto/serviço e consiste em todo o caminho de utilização do mesmo.

UX ou User Experience é o processo que os designers usam para criar produtos que sejam fáceis e agradáveis de usar por quem lida com eles.

É o processo que os designers usam para criar produtos que consigam dar experiências relevantes e significativas aos seus utilizadores, preocupando-se com todas as etapas desta interação entre pessoa e serviço – combina empatia, usabilidade, tecnologia e, claro, o fator humano durante o seu desenvolvimento. É, fundamentalmente, responsável pela arquitetura dos conteúdos e do mapeamento de um website, sistema operativo, aplicação ou dispositivo móvel.

Quando o UX Design é bom, foca-se no lado interativo de um produto – de que forma se comporta, e de que forma é que as pessoas irão ter uma experiência positiva. É o lado pessoal e humano da tecnologia, e vai procurar a harmonia entre a forma como é utilizado e as necessidades e problemas de quem está a utilizá-la.

A sua preocupação é a de garantir uma melhor experiência ao utilizador, seja através de usabilidade, interações intuitivas, produtividade e a garantia de emoções agradáveis, assim como de antever o valor que os utilizadores vão retirar desse mesmo produto ou serviço.

Quando o UX Design não é tido em consideração, pode deparar-se com sites muito complicados de usar ou com a chatice que é não conseguir finalizar pagamentos.

Por outro lado, quando o UX Design não é tido em consideração, pode deparar-se com sites muito complicados de usar, com a chatice que é não conseguir finalizar pagamentos, com os formulários que apagam tudo ou que estão sempre a encravar, uma embalagem difícil de abrir ou um produto difícil de entender, etc.

O projeto The Uncomfortable, da arquiteta Katerina Kamprani, ajuda a entender o que estamos a tentar transmitir. Ele reúne uma coleção de objetos mundanos que são propositadamente desconfortáveis e “deliberadamente inconvenientes”:

Faz impressão só de olhar, não é? Bem sabemos.

Isto é o que acontece quando a experiência do utilizador não é tida em conta, e já dá para perceber a ideia (e a importância) daquilo que o UX representa – não só no digital, como em produtos.

É isto que o User Centered Design (em português, design focado no utilizador), também conhecido como o pilar do UX, procura contrariar.

De entre as muitas vantagens em utilizar este serviço, destacamos:

  • Melhora a experiência dos clientes;
  • Garante a fidelização dos clientes;
  • Traz mais eficácia na produção dos produtos/serviços;
  • Gera maior lucro e uma melhor imagem para o negócio.

 

User Interface (UI)

Por sua vez, este é o processo de construir interfaces em software ou em dispositivos, e cujo principal foco é o estilo ou o aspeto visual que estes irão ter no final. Os designers desta área preocupam-se com que os seus projetos sejam de fácil utilização, mas também que, e principalmente, sejam agradáveis para o utilizador.

Os UI Designers ou Product Designers e preocupam-se com a estética e como, visualmente, podem impactar os utilizadores.

Geralmente, este termo refere-se à parte gráfica de um projeto, mas também pode, por exemplo, englobar sistemas de controlo por voz (“Alexa, o que é UI?”). UI é, então, tudo aquilo que o utilizador vê – sejam elementos visuais ou o seu aspeto gráfico. Podem ser conjuntos de comandos ou de menus, botões, textos, imagens, slides, campos de texto, animações, etc. No fundo, são todas as micro-interações entre o ser humano e a “máquina”. O foco está na aparência, ou no estilo, de um sistema.

O UI Designer, e seguindo a linha de pensamento anterior, tem o trabalho de criar o “look and feel” da interface de uma app, por exemplo. Normalmente, são UI Designers ou Product Designers e preocupam-se com a estética e como, visualmente, podem impactar os utilizadores. Alguns do aspectos que entram dentro deste âmbito: criação do guia visual do sistema, desde fontes, iconografia, hierarquias visuais, botões, animações e comportamentos de cada interação. Resumindo, é esta equipa que trabalha sobre como um produto irá impactar a tração que iremos sentir por um produto.

Vá, agora diga comigo: UX não é UI!

Agora que já navegámos pelos conceitos, está na altura de explicar as diferenças entre as duas áreas. Ainda que tudo seja UX, e que o UI seja uma parte desse conceito tão abrangente, não são a mesma coisa. O primeiro foca-se no aspecto interativo de um produto, ou seja, na forma como se comporta; enquanto que o segundo se preocupa com o seu aspeto visual. Mas isso já sabia, certo?

 

 

Por exemplo, se for preciso um botão (imaginem a página de check-out no site do supermercado onde fazem compras), os UI designers vão focar-se na sua parte visual – que aspecto terá? que cores vamos dar? qual a tipografia do texto?; já os UX designers vão preocupar-se com a razão pela qual será preciso colocá-lo – com o objetivo de que as dores que os utilizadores tenham nessa etapa possam ser resolvidas. Mas já lá vamos.

Em UX há todo um trabalho prévio de pesquisa, de realização de testes de usabilidade e de aplicação de mudanças ao longo do projeto, de forma a impactar de forma positiva as pessoas que irão, mais tarde, utilizar o produto/serviço.

Esta área, resumidamente, é responsável por entender melhor os seus utilizadores – desde hábitos, a necessidades, até à validação das dores que possam estar a sentir e à criação de  produtos adequados ao utilizador. O seu objetivo é o de auxiliar na realização de ações, identificando aquilo que o cliente valoriza, precisa ou deseja no momento de compra.

Os UX designers  tornam um produto útil e ajudam a realizar ações, enquanto os UI designers tornam a sua interface agradável e utilizável e fazem conexões emocionais.

Já em UI há uma preocupação maior com o desenvolvimento da interface (visual ou não) do site, aplicação ou sistema. Por outras palavras, com tudo aquilo que é utilizado na interação com um produto, uma espécie de “intermediário visual” que tem de ser funcional e de navegação intuitiva (basicamente, um layout).

Enquanto que os UX designers são os arquitetos das macrointerações – ou seja, da jornada do utilizador -, os UI designers são os arquitetos das microinterações – ou seja, da forma como humano e máquina interagem. O primeiro torna um produto útil e ajuda a realizar ações; o segundo torna a sua interface agradável e utilizável e faz conexões emocionais.

Ainda que diferentes, andam lado a lado e são revistos constantemente durante o processo de elaboração de um projeto.

 

Como trabalham em conjunto?

O UX designer determina como é que o interface trabalha, enquanto que o UI determina o aspecto (sabemos que estamos a repetir esta ideia constantemente, mas a diferença está precisamente aqui).

É um processo colaborativo, no qual ambas as equipas trabalham em proximidade – a equipa de UX concentra-se no flow do aplicativo/serviço, na forma como os botões vão ajudar na navegação entre as tarefas, e na forma como a interface serve as necessidades do utilizador; a equipa de UI trabalha na forma como esses elementos vão aparecer no ecrã.

Se, por exemplo, a meio caminho se decidir que é preciso adicionar (ou retirar) elementos, esta mudança vai fazer com que toda a organização do espaço no ecrã tenha que ser repensada, assim como o tamanho ou a forma dos elementos. A equipa de UX vai dominar melhor a forma de os distribuir, e a de UI vai adaptar o design para que tudo encaixe na perfeição.

A colaboração entre as duas equipas ajuda a assegurar que o user interface final tenha o melhor aspeto possível, ao mesmo tempo em que opera de forma eficiente e intuitiva. Apesar de envolverem habilidades diferentes, são fulcrais para o sucesso uma da outra. Quando tudo fica alinhado, o resultado final é sempre o melhor possível!

Obrigado por ter chegado até ao final deste artigo! Espero que os conceitos tenham ficado bem presentes e que já os consiga distinguir. Qualquer dúvida ou questão, estou aqui para ajudar e para esclarecer.

 

 

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