Prepare-se para falar de fracassos para progredir na carreira

Esta atitude demonstra maturidade profissional, resiliência e adaptabilidade, todas elas características que as empresas adoram. Resta saber como fazê-lo sem se prejudicar...

Só não erra quem não tenta. O importante é saber explicar o que aprendeu com os erros.

Num mercado de trabalho cada vez mais competitivo e onde as oportunidades de emprego não abundam, não surpreende que muitos profissionais se sintam desconfortáveis em falar dos fracassos que cometeram ao longo dos seus percursos profissionais, tentando minimizá-los ou até escondê-los.

Mas fugir deles pode significar uma falta de maturidade profissional que em nada os ajuda a progredir na carreira, diz à Exame Brasil a espanhola Mireia Las Heras, professora da IESE Business School (Universidade de Navarra). O mercado de trabalho prefere pessoas que saibam falar sem complexos das suas falhas, justificar as suas escolhas e partilhar o que aprenderam com o erro – desde que ele tenha sido de natureza técnica e não ética. “Errar é bom porque nos apercebemos de situações em que a nossa lógica não funciona. Mas devemos ser capazes de refletir, extrair informações, analisar os motivos do erro e usar essa informação nos próximos desafios”, diz a professora.

Uma pessoa que nunca erra pode saber muito e ser excelente ou talvez nunca experimente nada de novo.

Esse fracasso pode vir a ser útil no futuro, onde poderá aplicar a lição num novo emprego. “Numa entrevista de emprego, por exemplo, fale sobre os seus erros do passado sem deixar de explicar o que aprendeu com eles. Se sabe justificar por que aquele determinado risco compensava, e o que aprendeu com o erro decorrente dele, será visto como alguém mais valioso pelas empresas. Os erros são uma consequência do risco. Uma pessoa que nunca erra talvez saiba muito e seja excelente. Outra possibilidade, mais provável, é que não experimente nada de novo.” E a falta de apetência por testar novas abordagens não é uma das aptidões preferidas das empresas.

A professora explica ainda que os profissionais são pouco dados ao risco porque, geralmente, não lhes dão uma segunda oportunidade de se equivocarem. “A única forma de evitar o castigo é evitar o erro, ou seja, o risco”. Mas inovar significa sempre experimentar… e aceitar que nem todas as experiências serão bem-sucedidas.

Transformar os limões em limonada

Mireia Las Heras deixa conselhos para fazer com que estes fracassos passados joguem a seu favor. “Faça uma reflexão sobre o que aconteceu. Muitas vezes não conseguirá fazer isso sozinho, será necessário estar acompanhado de alguém que não esteja envolvido em tudo o que aconteceu. No entanto, para que isso funcione, é obrigatório ter vontade de mudar. Aprender algo novo significa mudar o seu modo de fazer alguma coisa, transformar a sua maneira de pensar, incorporar uma nova informação ou experiência na sua próxima ação.”

Quase todos os profissionais que hoje admiramos foram despedidos de um emprego, de Steve Jobs a Oprah Winfrey.

Mas há mais vantagens em aprender a viver bem com os erros. “Toda a gente adora um regresso”, diz a especialista em relações públicas e colaboradora da Forbes, Jessica Kleiman. “Na maior parte dos casos, se conseguir resolver um problema e mostrar que consegue seguir em frente, os outros também conseguirão fazê-lo. A nossa sociedade adora uma boa história de sobreviventes (Martha Stewart, Charlie Sheen, Robert Downey Jr.), por isso responda de forma inteligente e ágil para que possa recuperar.” Kleiman lembra ainda que quase todos os profissionais que hoje admiramos foram despedidos de um emprego, de Steve Jobs a Oprah Winfrey. O que interessa é partilhar a lição que aprendeu.

Em novembro passado, o Huffington Post enunciava os quatro grandes erros de carreira que todos os jovens profissionais deveriam cometer até aos 30 anos, se quisessem aprender lições de carreira valiosas: estragar um projeto importante por causa de um erro crasso; ser oficiosamente despromovida de uma função (quando começam a delegar-lhe menos responsabilidades num projeto); fingir que sabe exatamente o que está a fazer e manter-se demasiado tempo num emprego que não a preenche.