A idade ainda é um estigma para as empresas?

Gostaria de saber se dentro da área em que se move considera que a idade é um estigma para as empresas, como parece, quando o candidato já atingiu os 50 anos de idade. Tenho esse perfil e angustia-me saber que quando ofereço os meus conhecimentos que mais que académicos, são de vida, e muitas vezes oferecidos de forma voluntária, nem sequer resposta de um Não obtenho, ou talvez o mais angustiante seja a falta de resposta. O que me leva a pensar que estamos num mercado que assumiu que todos os que têm mais de 50 anos devem estar reformados. É uma constatação com fundamento ou nem por isso?

Da minha experiência a idade não é um estigma – não se procuram executivos “velhos” ou “novos”. Procuram-se bons quadros, que desempenhem com excelência as suas funções, que acrescentem valor e que entreguem resultados excedendo as expectativas.
As fases da carreira profissional de um executivo são regidas por ciclos. Nesses ciclos há que ter a preocupação de se construir a carreira, recebendo “ensinamentos” que se põem em prática, numa lógica de acrescentar valor para a organização onde prestamos o nosso trabalho e crescendo profissionalmente. As mudanças, que numa primeira fase devem ser norteadas pela aquisição de novas experiências e aquisição de conhecimentos, chega-se a uma fase de maturidade onde os ciclos são mais longos e onde tem de estar bem tangível o valor que se aporta.
Aos 50 anos, é fundamental apresentar-se um percurso ascendente, sólido, consistente, onde está claro o “rasto” do valor que se criou pelas organizações por onde se passou. Quanto mais claro e tangível for esse valor, mais fácil é poder ser-se notado e criar a apetência por parte do mercado para se ser convidado para novos desafios.

É aceitável mudar de emprego quatro meses depois de ter começado?

O meu marido é engenheiro civil e está a trabalhar em Angola. Eu fiquei em Lisboa com um bebé de 13 meses, pois receio os cuidados médicos locais. Há uma oportunidade de trabalho no Dubai, onde poderiamos ficar juntos. O meu marido receia que possa ser prejudicial para o seu currículo mudar de missão escassos quatro meses depois de ter trocado de empresa em Luanda. Pensa que os futuros empregadores compreenderão esta situação?

As mudanças de empresa em prazos muito curtos devem ser bem justificadas, sob pena de poderem dar uma imagem de alguma inconstância e falta de compromisso. Para lhe dar uma resposta fundamentada, necessitava ter mais detalhes do projecto em concreto para avaliar o que lhe trará do ponto de vista estritamente profissional, e como tem sido a carreira do seu marido ao longo dos anos: se tem tido muitas mudanças, com que intervalos, se tem marcadamente um percurso evolutivo ou não, quais as razões que o fizeram mudar no passado, quais os objetivos que quer atingir, qual o projeto de vida.

Um currículo não é mais do que um registo de uma atividade profissional e deve refletir constância e coerência em relação a um projeto de vida. O ponto de partida é o indivíduo como um todo, que vai construindo a sua carreira de acordo com um conjunto de objetivos e metas que se propõe atingir. A carreira também mais não é que um somatório de experiências, desejavelmente positivas e geradoras de valor, que vai marcando e desenvolvendo o indivíduo enquanto profissional. A dimensão humana não está de forma nenhuma dissociada e quanto mais integrada estiver, menos conflito provocará.

O equilíbrio carreira/família nunca é fácil; por uma série de razões, a tendência que tenho observado tem sido hiper-valorizar o lado da carreira em detrimento da família, e o resultado não é bom…

Não a vou deixar sem resposta: acho que o seu marido devia reunir a família e aceitar o projeto no Dubai.

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