Simplificar o que complicámos

Ontem aceitámos o convite da L’Oréal para assistir à Conferência Simplicity. Foi uma ótima decisão, pois valeu muito a pena escutar os seus dois oradores: Inês Caldeira, country manager da L’Oréal Portugal, e o seu convidado Yves Morieux, um brilhante consultor do Boston Consulting Group.

Inês partilhou com a assistência as medidas do programa Simplify Me, que a L’Oréal Portugal adotou nos últimos meses para simplificar os seus processos em prol do aumento da satisfação dos colaboradores e da melhoria da eficiência da companhia. Medidas simples, algumas tão básicas que quase fizeram a jovem gestora corar de vergonha, mas que se têm revelado bastante eficazes. De tal forma, que chamaram a atenção da casa-mãe em França, que decidiu criar um programa a que deu o nome Simplicity e que vai agora ser implementado em todo o mundo.

A apresentação de Yves Morieux não foi tão ‘agradável’. Para início de conversa o consultor, também diretor do Institute for Organization do BCG, desafiou os presentes a darem um palpite sobre qual o aumento da produtividade conseguido nos últimos 10 anos no Reino Unido com as novas tecnologias. A sua pergunta já deixava antever que a resposta não era a que todos esperávamos, mas foi tão má que praticamente gelou a audiência do Auditório 3 da Fundação Calouste Gulbenkian: zero! Como se não bastasse, Morieux informou-nos logo de seguida que, hoje, apenas 11% a 23% dos europeus se sentem envolvidos com as empresas em que trabalham – um número francamente preocupante, mas que na verdade não surpreende. Ao longo da sua apresentação, que prendeu a atenção de todos do princípio ao fim, Morieux falou sobre a forma como as empresas têm aumentado a complexidade dos seus processos desde o início dos anos 1980 e como isso tem levado à quebra do envolvimento dos seus colaboradores. E não se trata de uma opinião, mas sim do que tem observado na sua experiência como consultor das maiores empresas do mundo e de factos analisados e medidos por entidades credíveis.

Entenda melhor os seus argumentos através desta interessante TED, em que Yves Morieux partilha o estado a que as empresas chegaram, mas onde, felizmente, também aponta seis regras para simplificar a sua complexa forma de funcionamento e que podem ajudar a contornar este pesadelo.

A conferência terminou com uma visita à exposição Linhas do Tempo, que propõe um encontro das coleções da Fundação Gulbenkian: a Coleção do Fundador, adquirida por Calouste Sarkis Gulbenkian até 1955, e a Coleção Moderna, construída após a sua morte e formada por obras do século XX até aos nossos dias.