CUF: mais do que uma marca, uma cultura!

É tempo de tributo e de homenagem! Ao longo destes textos, fi-lo apenas em dois momentos e ambos de pesar: no desaparecimento de duas pessoas admiráveis pela sua visão empresarial, espírito empreendedor, contributo para a inovação e desenvolvimento, protagonizados por Alexandre Soares dos Santos e João Vasconcelos.

Faço-o novamente, mas por uma causa positiva. Refiro-me a uma marca que, no seu formato industrial ou de serviços, me acompanha desde miúdo e me enche de memórias e experiências, longínquas ou actuais, mas sempre gratificantes, sobretudo pelas pessoas fantásticas que fui conhecendo. É a CUF!

O início desta história remonta ao tempo de Eça de Queirós e tem como base as comemorações dos 150 anos do nascimento de Alfredo da Silva, que irão ter lugar em Junho de 2021. Intitulado como “o grande industrial”, “o grande patrão da economia portuguesa” ou “o industrial mais empreendedor” da Península Ibérica na primeira metade do séc. XX, vincou de forma ímpar muitos sectores da economia e sociedade.

É ele, que através de um processo de fusão em 1898, dá vida nova à Companhia União Fabril (CUF) que viria a tornar-se num gigante industrial, sob o lema “o que o País não tem, a CUF cria“. Tudo começa com a produção de sabões, velas, óleos e posteriormente adubos. A sua capacidade de visão e execução, muito avançadas para a época, permitiu-lhe criar um império empresarial que, para além do Grupo Cuf, se estendeu à Tabaqueira, Lisnave, Banco Totta & Açores ou Companhia de Seguros Império, sem nunca esquecer a função social da empresa, com a criação de bairros residenciais e ensino gratuito para os seus trabalhadores e respectiva família.

É nesse contexto de crescimento que, em 1945, se dá a inauguração do primeiro Hospital CUF, na Infante Santo.

Ora, o grupo CUF, mais do que uma realidade que conheceu o seu auge no início da década de 70, com operações no sector químico, financeiro, têxtil, minérios, alimentar, saúde reparação naval, etc.., era sobretudo conotado como uma autêntica escola de aprendizagem e de gestão, que reunia os quadros nacionais mais qualificados e assentava a sua proposta de valor na evolução da capacidade operacional e tecnológica.

Era, e é! Mantendo-se fiel a uma lógica estratégica assente em sectores essenciais à economia e acompanhando as tendências de mercado, o Grupo José de Mello tem vindo a reconfigurar de forma muito dinâmica o seu portfólio de negócios, com particular destaque para a Brisa, Efacec, ATM, Bondalti (nova marca do ex Grupo Químico CUF), José de Mello Saúde ou Monte da Ravasqueira, para além de outras áreas de negócio ou intervenções ao nível do voluntariado.

E tem sabido atravessar gerações onde a questão cultural e o prémio pelo mérito empresarial são valores constantes. Num percurso longo, cheio de histórias, momentos altos e baixos, e quando passam 75 anos desde a inauguração do primeiro hospital, o Grupo decidiu que a José de Mello Saúde desse lugar a uma nova e única marca para o sector da saúde, correspondendo na íntegra ao seu “nome de guerra” no mercado: CUF! Fico particularmente feliz em ver concretizada uma ideia que, nos mais diversos contextos, venho defendendo há muitos anos e que só vem valorizar ainda mais o seu projecto.

A CUF já não é uma indústria ou um clube de futebol. É para a grande maioria das pessoas sinónimo de uma grande referência na área da saúde hospitalar, 100% portuguesa, com 19 unidades espalhadas pelo país, onde atende mais de 1 milhão de clientes.

Mas, mais do que uma marca que nasce no séc. XIX e que transitou da indústria para os serviços, a CUF personifica a cultura de uma história de persistência, pragmatismo e competência. Não há muitas histórias assim!

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