Como atrair mais mulheres para a ciência

Há mulheres cientistas brilhantes  – basta lembrar que Marie Curie foi a primeira pessoa e a única mulher que recebeu, até hoje, dois Prémio Nobel -, mas são necessárias muitas mais. O discurso é sempre o mesmo, as mulheres estão em maioria nas licenciaturas, nos mestrados e nos doutoramentos, mas quando se trata de chegarem a lugares de decisão estes continuam a ser dominados pelos homens, e por esta razão muitas jovens desinteressam-se de seguir aquelas que consideram as vias onde é mais difícil ver reconhecido o seu talento – a ciência é uma delas.

Como imagina, este é um tema a que a Executiva está atenta, e por isso achámos muito interessante uma entrevista que lemos na Telva, com Ana Maria Cuervo, cientista espanhola que dirige o Instituto Einstein para a Investigação do Envelhecimento, e que é uma referência no estudo do envelhecimento para descobrir a cura para doenças degenerativas. De tal forma, que Bill Gates a convidou para uma conversa sobre o que é possível fazer na cura do Alzheimer e do processo da neurodegeneração.

A sua entrevista – que vale a pena ler na Telva de Março – fala sobre esta conversa com Bill Gates, mas também sobre as mais recentes descobertas sobre o processo de envelhecimento – e deixa pistas sobre como podemos ter saúde durante mais anos -, e também sobre o que deve ser feito para atrair mais mulheres para a ciência.

Como é possível atrair mais mulheres para a ciência?

Temos uma necessidade urgente de convencer as mulheres jovens a interessarem-se pela ciência. Penso que em parte, nós os cientistas, temos alguma culpa porque sempre realçamos a parte dura das profissões dedicadas à investigação: não há financiamento, é muito competitivo, não há vida fora do laboratório… E esquecemo-nos de reforçar o que nos mantêm nesta profissão: a emoção de fazer descobertas; o luxo de que cada dia é completamente diferente do anterior, com novos desafios e novas perguntas; estar rodeado de gente brilhante e muito apaixonada pelo seu trabalho; e o privilégio de poder contribuir para melhorar a qualidade da vida humana, porque inclusivamente quando as experiências não confirmam o que se pretendia, o descobrir que essa não é a via a seguir também é importante para continuar a avançar.

E as mulheres que chegam tão longe, como é o seu caso, não lhe parece que não se dão a importância que realmente têm?

Isso é muito típico das mulheres cientistas (…) Tenho a sorte de ter no meu grupo algumas das cientistas mais brilhantes, e no entanto não consigo convencê-las do enorme valor que têm! Não desejo que seja como nos Estados Unidos em que ensinam as crianças a dizer que são fabulosas desde o jardim de infância. Mas há que aproveitar qualquer oportunidade para dar visibilidade às mulheres cientistas. Como esta entrevista. 

 

Resumidamente, a opinião de Ana Maria Cuervo vem mais uma vez confirmar que os role models femininos são fundamentais para incentivar mais mulheres a alcançar as funções que ambicionam e que é preciso realçar o lado positivo das profissões, se queremos que mais jovens se interessem por elas. Por isso, na Executiva procuramos que as nossas entrevistadas falem abertamente sobre os seus percursos profissionais, porque na verdade, a experiência que temos destas conversas, é que as suas vidas são desafiantes, mas estão longe de ser penosas. Pelo contrário, as mulheres que entrevistamos sentem-se muito realizadas naquilo que fazem, no seu contributo para melhorar a vida dos seus colaboradores e também dos seus clientes, e conseguem manter vidas pessoais e familiares equilibradas. Ou seja, é preciso que as mulheres mais jovens conheçam estes exemplos para acreditarem que vale a pena investir para alcançar as funções que ambicionam – seja na ciência ou em qualquer outra área – e que isso não as impedirá de construir uma família, não as afastará dos amigos, nem as impedirá de desfrutar da vida.

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