5G World Market Share

A cada dia que passa vemos aumentar a tensão entre as duas maiores potências mundiais do momento: Estados Unidos da América e China. Este confronto está centrado na afirmação de quem vai liderar mundialmente o mercado 5G e toda a lógica de telecomunicações, inteligência artificial e automação futura, que afectará quase todos os sectores de actividade.

Desde há muitos anos que os Estados Unidos tudo tem tentado para impedir a penetração da Huawei no seu país, conotando a prática da empresa com questões políticas, susceptíveis de afetar a segurança dos dados e da privacidade individual e coletiva.  Todavia, tal facto não a impediu de crescer em muitas áreas geográficas e obter ganhos de competitividade cada vez maiores, tendo atingido 123 mil milhões de dólares em volume de negócios numa operação que se estende a 170 países.

É, aliás, a marca chinesa mais valiosa do momento, segundo a Forbes ou a Interbrand, com um valor próximo aos 8 mil milhões de dólares. Lidera de forma destacada a nível mundial a fabricação de equipamentos de telecomunicações com cerca de 28% de quota de mercado, sendo seguida pelas escandinavas Nokia e Ericsson, com respectivamente 16 e 14% e enquanto marca de produto smartphone obtém cerca de 20% do mercado, só perdendo para a Samsung.

A sua diversificação para outras áreas de negócio são parte da sua estratégia. A Huawei Technologies Cooperatief adquiriu 20% da Vision Semantics, empresa que desenvolve algoritmos que permitem identificar pessoas numa multidão e que serve o mercado policial e da espionagem. Também detém uma posição menor na Graphcore, empresa avaliada em 2 mil milhões de dólares, que opera na área da inteligência artificial aplicada ao automóvel do futuro e que conta com a parceria da BMW ou da Bosch. Ou ainda na Oxford Sciences Innovation, que coopera com a Oxford University na área de research e que é accionista da Vaccitech, actualmente a tentar desenvolver uma vacina de combate à Covid 19.

A mais recente imposição norte-americana à entrada da Huawei no seu mercado não se circunscreve à venda da marca, mas alarga-se a todas as componentes de produto, incluindo os seus fornecedores. Mais recentemente, o Reino Unido associou-se a esta posição e afastou a Huawei do mercado, que culminou com a demissão do seu CEO John Browne, ex-líder da BP durante largos anos. Para além dos Five Eyes (EUA, Reino Unido, Austrália, Nova Zelândia e Canadá), posições semelhantes começam a ser tomadas por outros países como a Índia, ao mesmo tempo que Singapura anuncia planos para trabalhar todo o mercado 5G com Ericsson e Nokia.

Neste enquadramento de ameaça constante, a posição da União Europeia e dos seus principais países em termos de robustez económica como a Alemanha ou a França podem vir a determinar o grau de êxito da marca nos próximos anos.  Últimas notícias dão conta que MEO, Vodafone e NOS não utilizarão tecnologia Huawei nas suas redes 5G.

Não deixa de ser curioso que esta tensão ocorre num momento em que pela primeira vez os CEO’s dos 4 ases (Apple, Google, Facebook e Amazon) foram depor no Congresso norte-americano com o objetivo de garantir que não utilizam os dados, ferramentas e demais informação que possuem sobre os seus clientes e utilizadores para monopolizar o mercado, impedindo assim que novas empresas possam competir à escala global nas áreas do comércio, comunicação online e navegação.  Todos apelaram à necessidade de valorizar o patriotismo norte-americano, alegando que se não inovarem, darão lugar ao protagonismo das empresas chineses.

Do lado chinês, responde-se com provérbios: Quem não sabe suportar contrariedades nunca terá acesso às coisas grandiosas.

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