A Agenda de… Beatriz Cabral Almeida

A enóloga da Quinta dos Carvalhais divide os seus dias entre a vinha, em Mangualde, o escritório, em Avintes, e o Porto, onde vive com o marido e os quatro filhos.

Beatriz Cabral de Almeida é enóloga da Quinta dos Carvalhais.

Apesar de toda a sua vida ter sido passada no Porto, onde nasceu a 24 de julho de 1981, a jovem enóloga Beatriz Braga Cabral Almeida atravessou o país, com vindimas realizadas entre o Douro e o Alentejo, para agora se afirmar no Dão. Apesar de ter iniciado o seu percurso académico pela área da Microbiologia, licenciando-se em 2003 pela Universidade Católica Portuguesa, o interesse pelo mundo dos vinhos rapidamente se evidenciou, levando Beatriz, três anos mais tarde, a um mestrado em Viticultura e Enologia, uma parceria entre a Faculdade de Ciências da Universidade do Porto, o Instituto Superior de Agronomia e a Estação Vinícola Nacional.

O ano de 2007 é de grandes mudanças na sua vida! Casa em maio, ingressa na Sogrape Vinhos em junho, e, entretanto, descobre que a primeira filha vem a caminho. Até 2011, foi responsável pela área técnica de enologia na Herdade do Peso, no Alentejo, apoiando o então diretor coordenador de enologia da Sogrape, Miguel Pessanha. Em 2012 torna-se o braço direito de Manuel Vieira, na região do Dão. Após dois anos, Manuel Vieira reformou-se e Beatriz assumiu o leme na produção dos vinhos na Quinta dos Carvalhais.

Mãe de quatro filhos, aproveita os seus tempos livres para ler, passear com a família e andar de bicicleta.

 

 “Com uma casa cheia – somos seis entre Pai, Mãe e quatro crianças entre os 12 e 1 ano – a organização ao pormenor e atempada é crucial. Já os dias de trabalho nunca são iguais. Tanto começam na vinha, como no escritório. À hora de almoço posso estar com os meus colegas pela cantina da Sogrape, em Avintes, ou com um grupo de 20 pessoas a almoçar um cabrito assado em forno a lenha na Quinta dos Carvalhais, enquanto desfrutamos e trocamos impressões sobre os vinhos que aí faço nascer. O dia termina ora em casa a jantar com as crianças, ora num bar ou restaurante a falar sobre os vinhos da Quinta dos Carvalhais e a harmonizá-los com uns canapés ou com um menu pensado para o efeito. Esta diversidade é algo que considero como de mais enriquecedor no meu trabalho: não é monótono, faço o que gosto e conheço muita gente interessante no caminho.

7h00
Acordo pela 1ª vez. 10 minutos de habituação e de despertador em snooze! Saltamos da cama, o João, meu marido, e eu, com a rotina diária já bem presente. Arranjo os pequenos almoços e acordo as crianças. Começa a alegria e azáfama! Enquanto os mais velhos tomam o pequeno almoço e se arranjam, eu trato da mais pequena.

8h10
 O João sai com os três mais novos. A casa volta a cair no silêncio. Nessa altura tomo eu o pequeno almoço e arranjo-me, para às 8h40 começar a viagem rumo ao meu mundo, ao mundo dos vinhos. Três dias da semana esta viagem é para Avintes, enquanto que nos outros dois é com destino ao Dão, mais precisamente Mangualde, onde fica a Quinta dos Carvalhais.

9h00
Quando estou por Avintes, a esta hora sento-me na secretária e vejo os novos emails. Estão sempre a chegar! E são muitos os assuntos para resolver. Segue-se a habitual uma chamada para o António, mais conhecido por “Leitão”, a Helena e o Jaime, que são o meu braço direito na Quinta dos Carvalhais, para me porem a par do desenrolar dos trabalhos que estão programados para o dia.

Quando o destino é a Quinta dos Carvalhais, aproveito a viagem para colocar em dia alguns assuntos via chamadas telefónicas (sistema mãos livres, claro!). Há imensos temas que podem ser facilmente resolvidos desta forma e evitando mais uns quantos emails! Aliás, considero até uma forma muito mais próxima, rápida e pessoal.

10h20
Chego a Carvalhais e passo pela vinha para ver as diferenças desde a última visita. Caso encontre por lá o Sr. Manuel Luís, há sempre informação importante que é partilhada, histórias que são contadas, peripécias!

A enóloga na quinta.

10h50
Chegada à adega, encontro-me com o “Leitão”, a Helena e o Jaime, cada um no seu local de trabalho. Desta forma vou passando pelas diferentes tarefas que estão a ser realizadas, conversando com a equipa, apercebendo-me de algumas coisas que têm que ser feitas. E nem por acaso, é aqui que me sinto verdadeiramente enóloga: estar bem perto, por as mãos na massa, estar no local onde tudo está a acontecer, ver os vinhos da vindima ganharem corpo!

11h30 (em Carvalhais) / 12h (em Avintes)
Prova de vinhos: é cedo, eu sei, mas é este o momento certo, em que os sentidos estão mais apurados. Há sempre um lote para elaborar, um vinho que é preciso preparar para engarrafamento, um novo vinho a criar de raiz ou apenas a prova de vinhos em estágio, para confirmar que estão a evoluir no bom caminho. Este sim, é “O” momento do dia! Aqui posso dar asas à imaginação e sonhar com vinhos novos, ou apenas garantir que os vinhos que já existem têm um excelente futuro. Deste momento podem também surgir ideias que mais tarde são passadas à equipa de marketing e vendas. É um momento muito importante do dia!

12h30 (em Carvalhais) / 13h (em Avintes)
Almoço. Gosto sempre de almoçar com a equipa em Carvalhais. É um momento descontraído, sem falar de trabalho (só mesmo quando tem que ser!) e no qual aproveitamos para nos conhecermos um pouco mais uns aos outros. Quando tenho um lote novo, vou sempre almoçar fora a um restaurante perto de Carvalhais e peço um prato de peixe e um de carne. Se o novo vinho (lote) combinar na perfeição com ambos os pratos, então está aprovado!

Em Avintes não é muito diferente. Costumo almoçar quase sempre com o mesmo grupo e a diversão é garantida. É sempre bom rir um bocado e apanhar sol enquanto tomamos café.

14h00
De volta à secretária, aos emails, ao planeamento de trabalho resultante da prova da manhã.

16h30 (em Carvalhais) / 17h30 (em Avintes).
Saio para o Porto, para ir buscar as crianças à escola.

18h00
Apanho os três mais novos no infantário e ATL e a mais velha na escola. Quando está bom tempo e não há trabalhos de casa para fazer, vamos até à beira mar passear e brincar um bocado. Caso contrário, vamos logo para casa. O tempo de viagem no carro até casa não é longo, cerca de 20 minutos, mas é muito interativo e animado: todos querem contar como foi o seu dia, o que aprenderam, como estão os amigos…Como devem imaginar, não é fácil moderar este momento e coordenar o tempo de antena de cada um!

19h00
Banhos aos mais novos. As mais velhas já tratam de si (ufa!).

19h45
Jantamos todos em família. Mais um momento em que todos estão muito entusiasmados a partilhar histórias e aventuras do seu dia, agora já com o Pai que, entretanto, chegou. Conversa-se muito, mas é hora também de planear o dia seguinte. O João também é enólogo, portanto há quase sempre vinho à mesa. Algo para provar, seja da nossa autoria seja de outros produtores, algum lote novo para comentar…

20h20
Brincadeiras, jogos e conversa e mais conversa com as crianças.

21h00
Hora de deitar os três mais novos.

21h20
Finalmente, o momento em que o João e eu podemos falar sobre o nosso dia sem sermos atropelados pelas vozes das crianças. Às vezes vemos um episódio de uma série, um filme, ou apenas as notícias do dia.

23h00
Quando não adormeço no sofá, esta é a hora a que me deito. De vez em quando ainda pego no livro que tenho na mesa de cabeceira, mas caio quase sempre no sono logo que me deito. Não é fácil controlar, são quatro crianças, quatro! “

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